Tudo é tão bipolar!

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Há tantas formas de despertar! Apenas abrir os olhos não basta. . É preciso acordar. Acordar dói… Mais uma dor num caminho onde pedras abrem feridas, deixam pruridos e só depois cicatrizam. Cicatrizar deixam marcas que o acordar vê. E sofre. É apenas mais uma dor que abraçadas a outras doem mais. Tentar mensurar a intensidade da dor é como querer transpor barreiras que vão além do se que é.

Ah, a alegria… Uma primavera quieta que pincela com cores vivas o dia? as horas? os instantes? Que importa? Há tempo para a dor… Há tempo para a alegria! Um sobe e desce… Um baixar e subir de nuvens… Tempestades e o luzir do sol… Tempo para acordar, tempo para hibernar… Tudo é tão bipolar!

Alda Alves Barbosa

Porque o fim existe…

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Ultimamente ando esquentando a cabeça por pequenos motivos. Para ser sincera, nem necessito de motivos. O fato de pensar já determina o local para crucificação. A dor maior de olhar para esse mundo, é pensar que daqui um tempo não estarei mais aqui e que todas as pessoas seguirão seus caminhos sem notar que eu já não estou mais entre os viventes, ou talvez nem tenham notado que um dia vivi.

Fico a pensar se somos espertos em vivermos fingindo que somos eternos! Fingimos! Porque um dia nos renderemos aos anos que nos levará dessa para melhor, depende da crença de cada um.

Talvez porque eu esteja no crepúsculo da vida, começo a questionar o que antes era inquestionável. Inquestionável porque criança não morre, só os anciãos… e esse inverno da vida estava tão longe de mim!

Hoje, tenho consciência de que ele, o crepúsculo, é minha sombra. Se o morrer é ter a possibilidade de viver num lugar paradisíaco, porque temos tanto receio de deixar o ex-paraíso de Adão, homem de caráter duvidoso, que se disse seduzido por Eva quando comeu o fruto proibido, o que determinou nosso fim.

Fim por fim, melhor mesmo é viver o hoje, amanhã pode ser que o ocaso nos surpreenda.

Alda Alves Barbosa